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Tipo do documento: Tese
Title: Histórias de vida de mulheres privadas de liberdade na Penitenciária Feminina – Unidade de Progressão de Foz do Iguaçu – Paraná: narrativas (auto)biográficas
Other Titles: The life stories of women deprived of liberty at the Women's Penitentiary – Progression Unit of Foz do Iguaçu, Paraná: (auto)biographical narratives
Historias de vida de mujeres privadas de libertad en la Penitenciaría Femenina – Unidad de Progresión de Foz do Iguaçu – Paraná: narrativas (auto)biográficas
Autor: Souza, Carla Giselle Duenha de 
Primeiro orientador: Moraes, Denise Rosana da Silva
Primeiro coorientador: Alves, Carla Juliana Galvão
Primeiro membro da banca: André, Tamara Cardoso
Segundo membro da banca: Ellwanger, Carolina
Terceiro membro da banca: Nihei, Oscar Kenji
Quarto membro da banca: Walker, Maristela Rosso
Resumo: Esta tese investiga a complexa realidade do encarceramento feminino no Brasil, inserida em um contexto de violação massiva de direitos humanos reconhecida como estado de coisas inconstitucional. O sistema prisional é marcado por um quadro crônico de superlotação e violência institucional, onde as condições degradantes e a precariedade estrutural inviabilizam mecanismos reais de reinserção social. Para as mulheres, essa conjuntura é ainda mais severa, visto que as especificidades de gênero são sistematicamente negligenciadas em um aparato penal desenhado historicamente por e para o público masculino. A realidade do encarceramento feminino é atravessada por uma tríade de abandono, invisibilidade e silenciamento. O objetivo geral da pesquisa consiste em apresentar os impactos da prisão na vida de mulheres condenadas por tráfico de drogas e identificar os desafios enfrentados no processo de reintegração social após o regime fechado. O estudo foi desenvolvido na Penitenciária Feminina de Foz do Iguaçu – Unidade de Progressão (PFF-UP), na região da Tríplice Fronteira, com a participação de dez mulheres reincidentes específicas no crime de tráfico. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa fundamentada no método (auto)biográfico, utilizando como instrumentos de coleta narrativas orais, visuais e escritas, por meio de cartografias da história de vida e cadernos reflexivos. A fundamentação teórica articula as recorrências sociológicas de Bertaux (2010), a pesquisa-formação de Josso (2004, 2010) e a pedagogia crítica de Freire (2020, 2021, 2022). Os resultados indicam que a entrada no crime é, predominantemente, uma resposta desesperada a situações-limite impostas pela vulnerabilidade social extrema, fome e maternidade solo, operando como estratégia de subsistência e não como desvio moral inato. Evidencia-se que o estigma social de pessoa egressa do sistema prisional atua como uma sentença perpétua que asfixia a agência individual e obstrui o acesso ao trabalho. Conclui-se que a descrição crítica do cotidiano na Penitenciária Feminina de Foz do Iguaçu – Unidade de Progressão, revelou um ambiente onde a promessa de ressocialização colide com a supressão da individualidade e com privações estruturais. O ato de narrar promove a transição da consciência ingênua para a consciência crítica. Esse processo reflexivo permite que as mulheres ressignifiquem suas trajetórias e vislumbrem o inédito viável, materializado em projetos de vida que desafiam o determinismo carcerário e fundamentam a busca pela emancipação humana para além das grades.
Abstract: This thesis investigates the complex reality of female incarceration in Brazil, situated within a context of massive human rights violations recognized as an unconstitutional state of affairs. The prison system is marked by a chronic state of overcrowding and institutional violence, where degrading conditions and structural precariousness render real mechanisms for social reintegration unfeasible. For women, this situation is even more severe, as gender specificities are systematically neglected in a penal apparatus historically designed by and for a male audience. The reality of female imprisonment is intersected by a triad of abandonment, invisibility, and silencing. The general objective of the research is to present the impacts of imprisonment on the lives of women convicted of drug trafficking and to identify the challenges faced in the social reintegration process after serving time in a closed regime. The study was conducted at the Foz do Iguaçu Women's Penitentiary – Progression Unit (PFF-UP), in the Triple Border region, with the participation of ten women who are specific recidivists in the crime of trafficking. Methodologically, a qualitative approach based on the (auto)biographical method was adopted, using oral, visual, and written narratives as collection instruments through life history cartographies and reflective notebooks. The theoretical framework articulates the sociological recurrences of Bertaux (2010), the research-formation of Josso (2004, 2010), and the critical pedagogy of Freire (2020, 2021, 2022). The results indicate that entry into crime is predominantly a desperate response to limit-situations imposed by extreme social vulnerability, hunger, and single motherhood, operating as a subsistence strategy rather than an innate moral deviance. It is evident that the social stigma of being a former prisoner acts as a perpetual sentence that stifles individual agency and obstructs access to work. It is concluded that the critical description of daily life at the Foz do Iguaçu Women's Penitentiary – Progression Unit revealed an environment where the promise of resocialization collides with the suppression of individuality and structural deprivations. The act of narrating promotes the transition from naive consciousness to critical consciousness. This reflective process allows women to resignify their trajectories and glimpse the "untested feasibility" (inédito viável), materialized in life projects that challenge prison determinism and ground the search for human emancipation beyond the bars.
Esta tesis investiga la compleja realidad del encarcelamiento femenino en Brasil, inserta en un contexto de violación masiva de derechos humanos reconocida como un estado de cosas inconstitucional. El sistema penitenciario está marcado por un cuadro crónico de hacinamiento y violencia institucional, donde las condiciones degradantes y la precariedad estructural hacen inviables los mecanismos reales de reinserción social. Para las mujeres, esta coyuntura es aún más severa, dado que las especificidades de género son sistemáticamente desatendidas en un aparato penal diseñado históricamente por y para el público masculino. La realidad del encarcelamiento femenino está atravesada por una tríada de abandono, invisibilidad y silenciamiento. El objetivo general de la investigación consiste en presentar los impactos de la prisión en la vida de mujeres condenadas por tráfico de drogas e identificar los desafíos enfrentados en el proceso de reintegración social tras el régimen cerrado. El estudio se desarrolló en la Penitenciaría Femenina de Foz do Iguaçu – Unidad de Progresión (PFF-UP), en la región de la Triple Frontera, con la participación de diez mujeres reincidentes específicas en el delito de tráfico. Metodológicamente, se adoptó un enfoque cualitativo fundamentado en el método (auto)biográfico, utilizando como instrumentos de recolección narrativas orales, visuales y escritas, a través de cartografías de la historia de vida y cuadernos reflexivos. La fundamentación teórica articula las recurrencias sociológicas de Bertaux (2010), la investigación-formación de Josso (2004, 2010) y la pedagogía crítica de Freire (2020, 2021, 2022). Los resultados indican que la entrada en el delito es, predominantemente, una respuesta desesperada a situaciones-límite impuestas por la vulnerabilidad social extrema, el hambre y la maternidad soltera, operando como una estrategia de subsistencia y no como un desvío moral innato. Se evidencia que el estigma social de la persona egresada del sistema penitenciario actúa como una sentencia perpetua que asfixia la agencia individual y obstruye el acceso al trabajo. Se concluye que la descripción crítica de lo cotidiano en la Penitenciaría Femenina de Foz do Iguaçu – Unidad de Progresión, reveló un ambiente donde la promesa de resocialización colisiona con la supresión de la individualidad y con privaciones estructurales. El acto de narrar promueve la transición de la conciencia ingenua a la conciencia crítica. Este proceso reflexivo permite que las mujeres resignifiquen sus trayectorias y vislumbren el inédito viable, materializado en proyectos de vida que desafían el determinismo carcelario y fundamentan la búsqueda de la emancipación humana más allá de las rejas.
Keywords: Encarceramento feminino
Narrativas (auto)biográficas
Histórias de vida
Vulnerabilidade social
Female incarceration
(Auto)biographical narratives
Life stories
Social vulnerability
Encarcelamiento femenino
Narrativas (auto)biográficas
Historias de vida
Vulnerabilidad social
CNPq areas: OUTROS::CIENCIAS SOCIAIS
Idioma: por
País: Brasil
Publisher: Universidade Estadual do Oeste do Paraná
Sigla da instituição: UNIOESTE
Departamento: Centro de Educação Letras e Saúde
Program: Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Cultura e Fronteiras
Campun: Foz do Iguaçu
Citation: Souza, Carla Giselle Duenha de. Histórias de vida de mulheres privadas de liberdade na penitenciária feminina – Unidade de Progressão de Foz do Iguaçu – Paraná: narrativas (auto)biográficas. 2026. 210 f. Tese (Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Cultura e Fronteiras) - Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Foz do Iguaçu.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
Endereço da licença: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
URI: https://tede.unioeste.br/handle/tede/8431
Issue Date: 1-Apr-2026
Appears in Collections:Doutorado em Sociedade, Cultura e Fronteiras (FOZ)

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