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https://tede.unioeste.br/handle/tede/8477| Tipo do documento: | Dissertação |
| Title: | “Que aprenda a ser livre para poder libertar-se das próprias cadeias”: intelectualidade e antifascismo de Maria Lacerda de Moura, entre América Latina e Europa (1920 – 1945) |
| Autor: | Souza, Léia Patek de ![]() |
| Primeiro orientador: | Oliveira, Ângela Meirelles de |
| Primeiro membro da banca: | Oliveira, Júlia Glaciela da Silva |
| Segundo membro da banca: | Calil, Gilberto Grassi |
| Terceiro membro da banca: | Oliveira, Angela Meirelles de |
| Resumo: | Essa dissertação analisa a concepção de fascismo elaborada pela intelectual brasileira Maria Lacerda de Moura (1887–1945), e suas proposições de resistência antifascista, observando a influência dos debates internacionais anarcoindividualistas em seu pensamento. A autora teve uma ampla circulação de seus textos e conferências pela América Latina e Europa, e estabeleceu contatos e afinidades intelectuais nesses espaços, em especial nos países: Argentina, Uruguai, Espanha e França. Afim de cumprir o objetivo do trabalho, analisamos o percurso de formação intelectual de Lacerda a partir de suas divergências teóricas e políticas. Essas divergências, somadas ao contexto posto a mulheres intelectuais no início do século XX, ajudam a explicar o silêncio que perdurou por anos sobre sua ação e produção antifascista. Além da profusão de suas obras no Brasil, Maria Lacerda de Moura fez parte de uma rede de sociabilidade intelectual internacional. Essa rede facilitou a disseminação de suas obras e lhe permitiu estabelecer diálogos com outros intelectuais anarquistas, em especial anarcoindividualistas, sendo essa a tendência que embasou o pensamento da autora. Essa rede intelectual teve como suporte principal os editoriais ecléticos, como a revista espanhola Estudios (1928–1937) e a revista argentina Nervio (1931–1936), nas quais Lacerda teve uma colaboração relevante. A revista Estudios teve um papel elementar na instrumentalização teórica de Lacerda, uma vez que seu enfoque no neomalthusianismo, emancipação sexual, eugenia e psicanálise, dialogaram diretamente com os interesses da autora. A perspectiva teórica produzida pelos colaboradores da revista reverbera na produção intelectual de Lacerda, passando por uma reelaboração particular da escritora. Com base na articulação de perspectivas recorrentes no antifascismo latino-americano e debates específicos ao anarquismo individualista, obtidos em sua rede intelectual internacional, Maria Lacerda de Moura elaborou sua interpretação do fascismo com enfoque em aspectos subjetivos e culturais. Não obstante a compreensão do fenômeno como fruto de uma crise no sistema capitalista industrial, a autora somou a essa leitura um olhar subjetivo que preconizou a formação psicológica e moral dos indivíduos para refletir sobre as razões de surgimento do fascismo, e propor estratégias que considerou efetivas para a resistência antifascista. Essa perspectiva traz ao pensamento antifascista de Maria Lacerda de Moura características singulares que colocam no centro do debate antifascista a emancipação sexual – das mulheres em especial –, e o desenvolvimento interior, mental, dos indivíduos para abandonar o “servilismo de rebanho”. A “elevação” interior dos indivíduos os tornaria donos de si próprios, e apenas assim seriam capazes de resistir ao fascismo, e a todo tido de autoritarismo enraizado culturalmente pelas opressões patriarcais, capitalistas e clericais. |
| Abstract: | This dissertation analyses the concept of fascism developed by Brazilian intellectual Maria Lacerda de Moura (1887–1945) and her proposals for anti-fascist resistance, observing the influence of international anarcho-individualist debates on her thinking. The author had a wide circulation of her texts and lectures throughout Latin America and Europe, and established contacts and intellectual affinities in these spaces, especially in Argentina, Uruguay, Spain, and France. In order to fulfil the objective of the work, we analysed Lacerda's intellectual formation based on her theoretical and political divergences. These divergences, added to the context faced by intellectual women in the early 20th century, help to explain the silence that lasted for years regarding her anti-fascist action and production. In addition to her prolific works in Brazil, Maria Lacerda de Moura was part of an international intellectual network. This network facilitated the dissemination of her works and allowed her to establish dialogues with other anarchist intellectuals, especially anarcho-individualists, which was the tendency that underpinned the author's thinking. This intellectual network was mainly supported by eclectic publications, such as the Spanish magazine Estudios (1928–1937) and the Argentine magazine Nervio (1931–1936), to which Lacerda made significant contributions. Estudios played a fundamental role in Lacerda's theoretical development, as its focus on neo-Malthusianism, sexual emancipation, eugenics, and psychoanalysis directly aligned with the author's interests. The theoretical perspective produced by the magazine's contributors reverberates Lacerda's intellectual output, undergoing a particular reworking by the writer. Based on the articulation of recurring perspectives in Latin American anti-fascism and debates specific to individualist anarchism, obtained from her international intellectual network, Maria Lacerda de Moura developed her interpretation of fascism with a focus on subjective and cultural aspects. Despite understanding the phenomenon as the result of a crisis in the industrial capitalist system, the author added to this reading a subjective view that advocated the psychological and moral formation of individuals to reflect on the reasons for the emergence of fascism and propose strategies that she considered effective for anti-fascist resistance. This perspective brings unique characteristics to Maria Lacerda de Moura's anti-fascist thinking, placing sexual emancipation – especially of women – and the inner, mental development of individuals to abandon ‘herd servility’ at the center of the anti-fascist debate. The inner “elevation” of individuals would make them masters of themselves, and only then would they be able to resist fascism and all forms of authoritarianism culturally rooted in patriarchal, capitalist and clerical oppression. |
| Keywords: | Maria Lacerda de Moura Antifascismo Anarcoindividualismo Redes Intelectuais Transnacionais Emancipação Sexual |
| CNPq areas: | CIÊNCIAS HUMANAS:HISTÓRIA |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Publisher: | Universidade Estadual do Oeste do Paraná |
| Sigla da instituição: | UNIOESTE |
| Departamento: | Centro de Ciências Humanas, Educação e Letras |
| Program: | Programa de Pós-Graduação em História |
| Campun: | Marechal Cândido Rondon |
| Citation: | SOUZA, Léia Patek de. “Que aprenda a ser livre para poder libertar-se das próprias cadeias”: intelectualidade e antifascismo de Maria Lacerda de Moura, entre América Latina e Europa (1920 – 1945). 2026. 160f. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Marechal Cândido Rondon, 2026. |
| Tipo de acesso: | Acesso Aberto |
| Endereço da licença: | http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ |
| URI: | https://tede.unioeste.br/handle/tede/8477 |
| Issue Date: | 30-Mar-2026 |
| Appears in Collections: | Mestrado em História (MCR) |
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|---|---|---|---|---|
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